P R E S É P I O



Pe. José Felippe Netto



Revendo meus pertences, coisas que não via há anos, encontrei uma caixa de papelão contendo pequenos
 embrulhos em papel de jornal. Desembrulhei e, qual não foi minha alegre surpresa: pequenas imagens de um presépio! Vinte e seis peças.
O achado transportou-me, através da “máquina do tempo”, levando-me a viajar até minha infância. Meu sonho de criança era montar um pequeno presépio na sala de minha casa. Mas... e o dinheiro? Era curto, na época.
Na vitrina da loja “A Doméstica”, de propriedade do saudoso senhor Jethro Frederico Lui, na esquina das ruas Prudente de Morais e Duque de Caxias, em Taquaritinga - minha cidade natal -, havia as tais imagens. Cada vez que passava pelo local parava e ficava namorando-as.
Como adquiri-las? Comecei, então, a juntar dinheiro e a adquirir uma de cada vez. A primeira foi a do menino Jesus deitado na manjedoura. Depois Maria, José, o anjo, o boi, o burro, os Magos, os pastores e os carneiros. Demorou. Consegui, enfim, realizar meu sonho infantil.
Montei o presépio durante anos. Cada vez que entrava em casa passava pela sala para admirá-lo. Não me lembro se rezava diante dele e se alguém o visitava. Com o passar do tempo veio a idade adulta, a vida foi-me impondo responsabilidades, houve várias mudanças de residências e, aos poucos, o presépio foi esquecido. Que pena!
Quem sabe ainda me animo, reabro a caixa, torno a desembrulhar as imagens e volto a montá-lo. Terá o mesmo encanto, a mesma emoção, a mesma sensação de vitória da primeira montagem? Creio que não.