Ignorância e Preconceito


Vera R. Pompeu

 



Pobres crianças, nascidas em países subdesenvolvidos, oriundas de populações atrasadas, marcadas pela brutalidade de costumes hediondos; Pobres crianças, fruto de perversidade cruel, de máfias que as comercializam para servirem de escravas ou como objetos de satisfação sexual; Pobres crianças, martirizadas, estupradas, judiadas, incapazes de reconstruir suas vidas, sobrevivendo em meio ao lixo e à miséria das grandes cidades.
Vivendo em favelas, cenários de crimes, torturas, mortes, drogas, onde reina a ignorância e a revolta, fazem delas crianças indefesas e são as principais vítimas num ambiente infestado de doenças, esgoto a céu aberto, sofrendo com crenças e costumes que atemorizam e deixam cicatrizes e traumas alucinantes.
Governo, polícia, autoridades da saúde, incapazes de exercer uma vigilância eficaz e permanente na proteção dessa infância desvalida, livrando-a de inúmeras barbaridades que acabam com a esperança de um futuro mais digno, menos humilhante e menos infeliz.
Como crescem as crianças sobreviventes desse mundo onde só reina a fome, a violência e o preconceito? São criaturas que crescem despreparadas totalmente a fim de exercerem a cidadania e o mercado de trabalho. São crianças que vão crescer sem uma alimentação adequada, sem uma educação elementar, procurando a subsistência junto aos semáforos!
Ao lado das favelas crescem grandes e belos edifícios, fábricas, indústrias, desenvolvendo o poderio econômico e esse mesmo poder avoluma-se menosprezando a disparidade social. O progresso econômico tem que atender ao desenvolvimento social, tem que procurar amenizar a tão devastadora desigualdade entre uma economia avançada e o flagelo social.
O progresso econômico deverá ser norteado de maneira a favorecer um padrão de vida decente para as classes menos afortunadas, seja em razão da saúde, da educação, da moradia e do emprego. O efeito da subnutrição, da educação deficiente, da falta de assistência social são fatores que fomentam a disparidade de recursos na formação das futuras gerações.
Vivemos hoje na era da tecnologia, no entanto, cada vez mais torna-se difícil o acesso da população carente aos benefícios do desenvolvimento tecnológico. Escolas Públicas sem laboratórios de informática, sem um ensino de qualidade, professores com salários insuficientes para a manutenção de uma eficiente atualização!
Torna-se difícil, com tantos entraves e retrocessos, dar à Escola Pública a função básica de preparar os alunos com habilidades adequadas a fim de enfrentarem as vicissitudes da vida!

 


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