Homenagem pelo Dia das Mães

 


“Ela era uma mulher muito especial. Viveu para Amar e Servir. Seu lema de vida: “Eu vim para servir, não para ser servida”. Esposa exemplar, mãe extremosa. Trabalhou toda sua vida para ajudar seu marido nas despesas da casa e educação para seus três filhos.
Tempos mais tarde, filhos criados, a vida melhorou um pouco; então dedicou-se ao cultivo de seu jardim que era tudo o que ela mais gostava. Passava horas cuidando de suas roseiras e orquídeas das mais raras espécies. Às vezes oferecia um botão de rosa á uma vizinha, á uma amiga, e dizia-lhes:
_Olhe as minhas roseiras e minhas orquídeas eu já ofereci á Maria Santíssima, mas tenho certeza de que Ela não se importará que lhe ofereça um botão de rosa, porque o faço com amor. E, assim, todos a conheciam no bairro em que morava, por ser uma mulher modelo de doação, caridade, bondade.
O tempo passou e seu marido partiu... Foram dias e noites terríveis de tristeza e saudade. Mas, seu coração ainda tinha muito amor para dar aos filhos, netos e bisnetos, e ela continuou a viver na alegria e na Paz de Jesus.
Um ano após a morte de seu marido, seu filho solteiro ainda, por opção, adoeceu. Ela cuidou dele com todo amor do seu grande coração. Ele piorou, foi obrigado a fazer uma cirurgia e amputaram-lhe as duas pernas. Ela quase morreu de dor ao ver seu filho apenas pela metade. Sofreu, chorou de dor, mas sua fé era inabalável, e pedia ao Sagrado Coração de Jesus que lhe desse forças para suportar a dor e que confortasse seu amado filho.
Dedicou o resto de sua vida á cuidar do filho, que ficara dependente dela para tudo; revoltado que ficara com a amputação das pernas, culpava-a por tê-lo colocado no mundo. Foram anos e anos de sofrimento para ambos, até que seu filho se conformara com a má sorte, e Jesus a ouviu em suas suplicas; a doença do filho estacionou, as dores desapareceram ficando só a frustração de não mais poder caminhar, pescar, dançar, trabalhar, coisas que ele tanto gostava, e ela sabia que seu querido filho, apesar de não ter mais dores, era muito infeliz. Ela continuou rezando e pedindo a proteção do seu amado Jesus.
Não sei se pela fé, pelo merecimento, ou pela confiança que ela tinha em seu Jesus e em Maria Santíssima, começaram a acontecer fatos incríveis. Não se tratava de fantasia ou imaginação. Foram casos reais, porque muitas vezes eu a vi chorar de emoção e de alegria, Esses fatos estão registrados em seu diário, que ela iniciou por insistência de uma amiga.
Transcrevo aqui, com suas próprias palavras, simples mais sinceras, pois ela não estudara. Parara no segundo ano primário para trabalhar como babá, com apenas sete anos de idade. Mal sabia escrever seu nome, mas escrevia coisas tão lindas que nunca entendemos ou soubemos decifrar o “mistério”.
Apenas um resumo de seu diário, escrito com sua letra simples em momentos tão sublimes de sua vida.: - “...São maravilhosas e emocionantes as visões que tenho. Eu gostaria que todos pudessem ter esta ventura. São visões do meu Jesus a quem amo tanto e de sua Mãe Santíssima.
Neste mês de agosto eu o vi em meu quarto, na hora das minhas orações. Ele estava com um manto vermelho, lindo, de pé. Eu vi seu coração pulsando, transbordando de amor...
Nos dias 18 e 19 de agosto – Ele apareceu-me em meio á uma luz. A luz iluminava seu rosto lindo. Eu vi perfeitamente a cor dos seus olhos, marron claro, bem perto dos meus.
...01/11/1995 – Eu estava em oração quando Ele chegou e os seus olhos estavam imersos em lágrimas. Estavam úmidos e brilhantes.; eram lindos e vivos.
...29/02/96 – Hoje foi um dia maravilhoso, primeiro ví o meu Jesus, e ao seu lado sua Mãe Santíssima, envolta em luz.
...21/06/1996 – Hoje Ele veio novamente com o Coração exposto, pulsando, vivo!

Como poder explicar tanta maravilha? Não sei. Como já disse antes, são apenas alguns relatos, porém, estão todos registrados em seu diário escrito de próprio punho, a quem possa interessar.
Visões? Aparições? Fantasia?
Fica a critério de cada um.
Seja o que for, só tenho que agradecer a Deus, a felicidade que Ele lhe proporcionou nos últimos anos de sua vida. Talvez seja uma compensação pelos ensinamentos que dela recebemos, de fé, doação e amor incondicional ao Sagrado Coração de Jesus e a certeza que ela nos deixou, de que ELE ESTÁ VIVO NO MEIO DE NÓS.

Esta mulher era minha mãe. Nasceu em 15/11/1915, e faleceu, ou melhor foi ao encontro de seu esposo e filho, os quais muito amou, no dia 21/11/1998.
Seu nome: Elzira Trovo Ângelo

“Quem a conheceu, conheceu a Solicitude, a Gratidão, a Paz, a Alegria e sobre tudo a Fé e o Amor”.

Em sua homenagem e em agradecimento por tudo, escrevi sua história. O livro “Trajetória de Uma Vida”, foi editado pela Editora “Casa do Novo Autor” em 2004.
 


Éria Krüger