P E N T E C O S T E S



Pe. José Felippe Netto



A segunda grande festa dos Israelitas era a da colheita. Os livros do Êxodo e Deuteronômio a chamam de “Festa das Semanas”, porque celebrava-se sete semanas depois dos Ázimos (Páscoa).
A partir da Páscoa contava-se 50 dias, ao final dos quais celebrava-se essa solenidade. Daí surgiu o nome grego de Pentecostes, o qüinquagésimo dia. Essa festa, no início, era essencialmente agrícola. Marcava o final das colheitas. Como solenidade que se celebrava ao final dos duros trabalhos da colheita, estava dominada pela alegria e a ideia de agradecimento a Javé
(Deus) pelo dom da colheita.
A cerimônia mais característica da festa das Semanas era a oferta de dois pães feitos com a nova farinha e cozidos com fermento. É o único caso em que o ritual prescreve o uso do fermento em uma oferenda apresentada a Javé em nome de todo Israel. Isso mostrava uma relação entre essa festa e a dos Ázimos. No princípio da colheita comiam-se pães sem fermento em sinal de renovação. No final da colheita ofereciam-se pães fermentados, que eram os que usavam diariamente.
À oferenda de pães fermentados se uniam numerosos sacrifícios sangrentos, pelo pecado. A festividade durava um só dia, no qual deixava-se todo trabalho. Depois os judeus começaram a relacionar a festa das Semanas com a promulgação da Lei do Sinai, apoiando-se em Êxodo 19,1, do qual se deduz que a promulgação da lei do Sinai teve lugar uns 50 dias depois da saída do Egito. Converteu-se a festa das Semanas na comemoração da Aliança.



O PENTECOSTES CRISTÃO



No Cristianismo a festa de Pentecostes tem tido sempre muita importância, porque nesse dia aconteceu a efusão (derramamento) do Espírito Santo sobre os apóstolos e demais discípulos de Cristo reunidos em Jerusalém.. E em tal festa a Igreja comemora a sua fundação, pois foi nessa circunstância quando a nova Igreja abriu-se ao universalismo de todos os povos. Mas, no relato dos Atos dos Apóstolos não há nenhuma alusão à Aliança do Sinai nem à nova Aliança
 cujo mediador é Cristo.
O Dom do Espírito Santo, com os sinais que o acompanham, o vento e o fogo está em linha de continuidade com as manifestações de Deus no Antigo Testamento. Um duplo milagre realça o sentido do acontecimento: 1º.) Os Apóstolos se exprimem em “línguas” para contar as maravilhas de Deus (At 2,4). O falar em “línguas” é uma forma característica de oração que se encontra nas comunidades cristãs primitivas. 2º.) Embora ininteligível em si (1 Cor 14,1-25), esse falar em “línguas” é compreendido por todos os qaue estão assisitindo, esse milagre de audição é um sinal da vocação universal da Igreja, pois esses ouvintes vêm das mais diversas regiões (At 2,5-11).



SENTIDO DO ACONTECIMENTO



Citando o profeta Joel (Jl 3,1-5), Pedro mostra que Pentecostes cumpriu as promessas de Deus: nos últimos tempos o Espírito Santo seria dado a todos. João Batista anunciara já ter chegado aquele que deveria batizar no Espírito Santo (Mc 1,8). E Jesus, após a sua ressurreição, tinha confirmado essas promessas: “Em poucos dias, sereis batizados no Espírito Santo” (At 1,5).

Sugestão: ler Atos dos Apóstolos 2,1-11