N A T A L



Pe. José Felippe Netto


 


Se há um tema que nunca me atraiu para escrever sobre ele é o Natal! Por quê? Nem eu mesmo sei! Não que esse acontecimento nada me diz. Pelo contrário. Entendo muito bem o que celebramos nessa data. O que vejo, porém, é que tanta gente a exalta em prosa e verso e cada vez mais ela vai sendo dominada pelo consumismo, e, para as pessoas há apenas preocupação em enviar e receber cartões, trocar presentes, comer bem e beber.

Se perguntarmos a uma criança o que significa o Natal para ela, certamente a resposta será: “um dia para ganhar presentes”. Nós, adultos, deveríamos entender que nesse dia celebramos a chegada de um grande e especial Presente. Deus enviou-nos seu próprio Filho. Portanto, a exterioridade da festa natalina não pode ofuscar a sua interioridade, o seu verdadeiro sentido. Resumindo: não podemos esquecer o aniversariante. Vamos aceitar esse Presente que Deus nos enviou.

É por isso que a liturgia do terceiro domingo do Advento caracteriza-se pela alegria. Enquanto celebramos a primeira vinda do Senhor aguardamos a sua volta. Nesse tempo litúrgico, caracterizado pela esperança, toda a nossa expectativa na segunda vinda do Senhor deve levar-nos à alegria, pois todo aquele que espera no Senhor não pode jamais entristecer-se. O profeta Isaías nos diz: “Alegrem-se o deserto e a terra ressequida; exulte a estepe e cubra-se de flores, desabroche como açucena e exulte, sim, pule de alegria e dê gritos de júbilo!” (Is 35,1-2). Se essa alegria deve atingir o deserto e a terra ressequida, quanto mais a nós, filhos de Deus e herdeiros da “casa do Pai”, a morada eterna! Entretanto, é necessário que ela brote de dentro de nós, do nosso ser e que seja sincera.

Só possui a verdadeira alegria aquele que vive na graça de Deus, que já conseguiu equilibrar-se espiritualmente, que está conseguindo vencer as tentações e o mal, não chegando ao pecado, pois somente este consegue entristecer-nos. Portanto, a alegria de que nos fala a liturgia do terceiro domingo do Advento não é essa que o mundo nos oferece, falsa e passageira, mas a que vem de Deus, conseguida apenas por aqueles que não se deixam enganar pelo falso brilho da alegria mundana. E a que nos vem do Senhor, além de verdadeira é duradoura.

Se conseguirmos essa verdadeira alegria deveremos irradiá-la aos nossos familiares, vizinhos, amigos, colegas de trabalho ou estudo e também aos ambientes que freqüentamos. Mas, repito, somente a conseguirá aquele que domina o pecado e vive na graça de Deus, que o santifica. Vamos experimentar? Vale a pena!