CAMPANHA DA FRATERNIDADE


 JULGAR A REALIDADE

 


Quase sempre,. falar em Amazônia provoca duas reflexões simultâneas: a primeira é a imagem de uma natureza exuberante, feita de florestas, igarapés, árvores gigantescas, rios imensos,. animais selvalgens e grandes riquezas minerais. A segunda imagem é a de uma regíão povoada por pessoas primitivas e exóticas ­índios, ribeirinhos, caboclos incapazes de aproveitar as riquezas oferecidas pela natureza que, ao mesmo tempo, ocupam áreas imensas, destinadas, por causa disso, a permanecer subutilizadas.
A essas duas visões correspondem dois projetos presentes no debate socioeconômico: os. representantes do primeiro, ao olharem Para a Amazônia, enxergam uma imensa mancha verde - o pulmão da Terra - a ser preservada a todo. o custo e protegida dos ataques destrutivos dos seres humanos" para garantir que o planeta tenha como filtrar toda a contaminação provocada pelo progresso e purificar se dela. Os representantes do segundo,ao olharem para a região, só enxergam dólares: madeira, água, minérios e biodiversidade transformando-se em mercadoria, lucro e capital.
Ambas as posições, mesmo que antagônicas e contrastantes, têm em comum pelo menos dois fatores: não levam em conta as .populações amazônicas, quase sempre consideradas como "estorvo" a seus projetos, e julgam ser preciso decidir o que fazer com a Amazônia na perspectiva dos centros de poder.
Há séculos as decisões sobretudo econômicas - muitas vezes equivocadas a respeito da região são tomadas longe dela e, quase sempre, sem a participação categórica dos povos que a habitam. As políticas conservacionistas ou desenvolvimentistas - são sempre determinadas pelos interesses dos que não vivem na Amazônia - as conveniências do capital ou a sobrevivência do planeta -, sem a preocupação com seus habitantes.


GÔn. José Garfos Dias Toifoli Secretario-executivo da· GF


fonte: O domingo
Semanário liturgico catequético