Campanha da Fraternidade – 2008
 

Vera B. R. Pompeu

 



Estamos chegando ao início da Quaresma. Nesse período a Igreja do Brasil apresenta a Campanha da Fraternidade e isso tem sido realizado desde 1964, sendo que cada Campanha da Fraternidade, de cada ano, apresenta um tema e um lema.
Neste ano, o tema é: “Fraternidade e Defesa da Vida” e o lema é: “Escolhe, pois, a Vida”. Iremos ver que diante das circunstâncias atuais veio bem a propósito tanto o tema, quanto o lema.
Quaresma é tempo de conversão e conversão consiste numa mudança de vida em vista da festa da Ressurreição. Além de uma profunda revisão de vida é necessário uma renovada adesão a Deus.
Torna-se para nós, motivo de grande preocupação a injustiça social que gera fome, violência, criminalidade e exclusão, impedindo o acesso de milhões de pessoas às condições mínimas de vida.
Diante de tanto egoísmo, comodismo, individualismo, materialismo, tudo isso passa a exigir de nós atitudes eficazes na transformação social por meio de uma “revolução pela vida”.
Para nós, cristãos, a defesa da vida deve ser feita a partir dos critérios estabelecidos por Jesus Cristo e que estão presentes nos Evangelhos e explicitados na Doutrina da Igreja.
O Concílio Vaticano II já condenava tudo quanto se opõe à vida, como: homicídio, genocídio, aborto, eutanásia, suicídio voluntário, e muito mais, portanto, já condenava tudo que viola a integridade da pessoa humana, condenando tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, escravidão, prostituição, comércio de mulheres e jovens, e também, as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como simples instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis.
Podemos perceber que com a mentalidade individualista e utilitarista, aumentam novas violações à vida e práticas como o aborto e a eutanásia, vão deixando de ser consideradas ilícitas, sendo até mesmo, em muitos países, amparadas pelo Estado.
Diante disso, hoje nós somos chamados a escolher entre os caminhos que conduzem à vida ou os caminhos que conduzem à morte. Caminhos de morte são os que traçam uma cultura sem Deus e sem os seus mandamentos ou inclusive contra Deus.
Diante dessas distorções, diante do fato de que muitos acreditam que a ciência e a tecnologia possam solucionar os problemas sem necessidade de compromisso ético, a vida cotidiana se amesquinha, as pessoas passam a ser usadas, permitindo toda sorte de ataques àqueles que são mais fracos e indefesos. A vida é um dom de Deus e o encontro com Cristo é o ponto de partida para reconhecermos a dignidade da pessoa humana e reconhecer o valor sagrado da vida humana desde seu início até seu fim natural.

Diário da Cidade-Taquaritinga 2de fevereiro de 2008


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