3º Domingo da Quaresma- ANO B

08/03/2015 1ª Leitura: Êxodo 20,1-17

SALMO: Salmo 18 (19)

2ª Leitura: Coríntios 1,22-25

EVANGELHO: João 2,13-25

HOMILIA

 


Durante o tempo litúrgico da quaresma a igreja propõe meditação do cristão à lei de Deus, ou seja, os 10 mandamentos, que regulavam ao povo de Israel as relações das pessoas entre si e em relação a Deus, mas essas 10 palavras de Deus são também dirigidas para os cristãos dos nossos dias... Para nós, a fidelidade a um mandamento nunca deve se reduzir à fria observância de uma norma, mas deve ser resposta pessoal ao Deus que se revelou a nós.
Deus não é um ser SOBERANO que vive num palácio nos altos céus, distante dos seus súditos, ameaçando com castigos severos os que não observam suas rigorosas leis. Ele é um Pai que conhece seus filhos pelo nome, dialoga e lhes indica o caminho do bem e da felicidade. Por que observamos os mandamentos? Por que tememos os castigos de Deus neste mundo ou no outro? Por que temos medo de ser descobertos ou contrair alguma doença grave? Ou então porque confiamos nas palavras de um Pai que nos ama e por esta razão sempre respondemos com o nosso “sim” amoroso também?
Com os mandamentos Deus não quer impedir-nos de manifestarmos plenamente a nós mesmo e nem de realizar nosso desejos e de sermos felizes. Ele é um Deus libertador e não um tirano. Ele não tolera nossa escravidão. Suas leis não são severas, difíceis, absurdas, incompreensíveis, impostas para bloquear o homem.
NÃO! Os mandamentos divino, podem ser comparados com a sinalização das ruas e rodovias, não para limitar a liberdade, mas para indicar o caminho certo. Os mandamentos se resumem no AMOR e no RESPEITO MUTUO. Assim como o SEMÁFORO quando fica vermelho para mim, eu paro, pois está verde para o outro:é a vez dele passar e percorrer seu caminho e VICE VERSA. É o respeito do homem maduro, inteligente e que ama.
Quem segue o caminho de Deus não se torna escravo das próprias paixões e do próprio egoísmo, não destrói a própria vida e a dos outros, mas se torna uma pessoa livre, feliz e realizada. Jesus resume a lei: Amar a Deus e ao próximo/São Paulo ensina-nos “quem ama o irmão cumpriu toda a lei...”
Em Rm 13,10 São Paulo afirma: “somente o amor é a plena realização da lei”: tanto é que na 2ª leitura Paulo afirma que Jesus Crucificados é escândalo para os judeus e loucura para os gregos, enquanto na lógica de Deus Cristo crucificado(abandonado)é a maior prova de amor é dom desinteressado de si para salvar o homem. A cruz de Cristo sinaliza a nossa salvação. Para os homens a dor e sofrimento se tornam rejeição enquanto para o cristão é sinal de purificação/ é porta de passagem para a VITÓRIA.
O gesto dramático e violento executado por Jesus na expulsão dos comerciantes/ vendilhões do templo, narrado no Evangelho de hoje revela a função do templo(igreja) e sua revolta contra é os abusos existentes nela.
É tempo de Páscoa: Jerusalém super lotada de peregrinos de todas as partes do mundo para celebrar suas promessas. A cidade contava com 50.000 habitantes, mas por ocasião da Páscoa, atingia até 180.000 pessoas. Muitos economizavam e trabalhavam o ano todo, para conseguir uma vez na vida realizar essa “VIAGEM SAGRADA” com a família: durante essa viagem não medem os gastos/comem carne em abundância/bebem bons vinhos/compram presentes/rezam no templo/pedem conselhos aos sacerdotes e ofertam um sacrifício ao Senhor.
Os comerciantes sabem muito bem que essa festa de Páscoa é ótima ocasião para fazer negócios/ganhar mais que o ano inteiro/elevam os preços e chegam a cometer trapaças. Algumas confusões também aconteciam: os aproveitadores das moças/alguns peregrinos exagerando na bebida e ladrões aproveitadores no meio do povo.
Na praça em frente ao templo, as bancas de cambio: troca das moedas/os vendedores de cordeiros para a ceia pascal(cerca de 18.00 eram abatidos nessa ocasião), fora os que negociavam bois e outros animais e os curtidores de peles, vendiam pães azimos e ervas amargas como mandava o preceito judaico, Jesus também chega para celebrar a festa da Páscoa. É fácil imaginar Jesus indignado com aquele espetáculo deprimente: a casa de orações foi transformada num covil de mercadores.
Não pronuncia uma só palavra, faz um chicote com as cordas nas quais estão amarrados os animais e furiosamente começa a espancar e expulsar a todos e jogar pelos ares as mesas, as cadeiras, o dinheiro e as gaiolas das pombas. Ninguém podia imaginar um Jesus que era sempre calmo, manso, sorridente e tranquilo, pudesse chegar a gesto tão violento, com aspecto muito diferente do comum.
Qual sentido? A explicação está no: “tirai daqui tudo e não façam da casa de meu Pai uma casa de comércio” refere-se a profecia de Zacarias 14,21: “não haverá mais nenhum comerciante na casa do Senhor do Universo”. Purificando o templo Jesus declara que chegou o Reino do Messias e que não se deve mesclar qualquer confusão entre RELIGIÃO E INTERESSES ECONOMICOS. Jesus é o novo templo.
Jesus não admite religião usada para esconder ou justificar interesses, vantagens, benefícios próprios que nada tem a ver com o evangelho.
Aqui é preciso reconhecer e pedir perdão a Deus que nos ajude e a não repetir tais atitudes. É importante e urgente que a Igreja e as nossas comunidades sejam irrepreensíveis nesse ponto.
Nada de truques/nada de jogadas fraudulentas/nada de favoritismo no uso de bens da comunidade/nada de gente encostadas em nossas comunidades para se sustentar e se promover às custas e exploração da fé popular.
Não podemos fazer da religião e do amor um comercio. O amor e a vida de Deus não é um toma-lá-da-cá.
Olhem o sol nasce todo dia e não manda cobrança/as flores germinam,crescem,florescem embelezam, perfumam murcham e secam e não mandam cobrança e os pássaros vêm a sua janela, cantam uma canção vão embora e não deixam endereço e nem mandam cobrança. Assim é o amor.
A verdadeira morada de Deus está como disse Jesus: “se alguém me ama, observará a minha palavra/ meu Pai o amará e nós viremos a Ele e nele faremos a nossa morada”
Eis qual é a nova casa de Deus: o lugar onde ele habita: é Cristo e com Ele a comunidade dos que crêem e vivem sua palavra.
O único sacrifício que é agradável a Deus são as obras de amor, o serviço generoso prestado ao irmão, especialmente ao mais pobre, mais carente, mais sofredor, ao doente, ao marginalizado, ao excluído, ao faminto, ao desnudo...
Sejamos irmãos pedras vivas do novo templo, onde Deus virá fazer morada.


Louvado seja nosso....


PE. Silvio Roberto
Pároco