Sociedade Cega


As ruas não são tão largas
E o mundo não é tão pequeno
Que as pessoas não possam ver
Tantos desamparados sofrendo.
O mundo não é tão pequeno
Que não possa acolher esses desabrigados
Que fazem de tudo para serem notados
Mas, não despertam atenções
Muito menos, cuidados
Passam pela vida, como se não fossem notados.
A cada dia estreitam-se as calçadas
E crescem as crianças abandonadas
Pobres pequeninos miseráveis
Lixo humano
Descartáveis...
Rotulados por trombadinha
Pivetes
E outros, com o mesmo agravo
Que a sociedade, como um todo
Mãe cruel e desalmada
Desenrolou esses seres e os abandonou ao acaso.
Pequeninos e miseráveis
Vivendo só, ao relento
Suplicando a Deus clemência
Que olhe por suas vidas, estagnadas
Pobres crianças sofridas.
Pobres crianças abandonadas...
 


Nádya Haua

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